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Apenas uma mulher que ama outra mulher.
Palavras, sentidos, reflexões...
Sem forma, sem propósito, sem preconceito, sem vergonha...


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17.2.08

Duas garotas lindas chegam em casa. São amigas. Elas não haviam combinado nada e de última hora uma delas teve que ficar para passar a noite. Uma vai para o quarto e a outra vai dormir na sala. Afinal, apesar de serem amigas há muitos anos, já não são mais aquelas meninas que dormiam e tomavam banho juntas. Depois que ela fecha a porta do quarto, a que ficou na sala começa a se masturbar e quando está quase atingindo o orgasmo, a outra aparece na sala e se junta a ela. E ficam lindamente fazendo amor.
Desligo o filme e, mesmo tendo alcançado o prazer, deito na cama em prantos, pois enquanto estou aqui na companhia de apenas um filme e meus dedos, ela está muito bem acompanhada, há quilômetros de distância. Quantos poros, suores, sussurros, gritos e palavras de amor ela está ouvindo, compartilhando e sentindo agora, enquanto sento aqui e tento expulsar esse amor que nas últimas semanas só me tem feito miserável? Até que ponto um ser humano é capaz de descer para que haja o mais ínfimo raio de esperança de que as coisas voltem a ser como eram? Será que as coisas podem voltar a ser como eram? Será que podem mudar para melhor? Perguntas que ainda não podem ser respondidas. Não até ela voltar. Não até ela olhar nos meus olhos novamente...


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1.2.08

O que é ter uma vida "normal"? Por que é tão importante para a sociedade que as pessoas se encaixem em determinados estereótipos e até que ponto esse desejo social afeta nossos próprios desejos? Para quê tanta repressão? Não seria mais importante que todos fossem felizes, se sentissem realizados e plenos? O que rola por aí é muita neura, muita coisa dizendo não, não e não. Por quanto tempo vou continuar aceitando viver nas sombras, entubando um sofrimento que não é meu? Estou realmente cansada. Eu tenho um pensamento muito claro de que a minha felicidade não diz respeito a mais ninguém a não ser a mim mesma. Se o jeito que eu sou, se a maneira como sou feliz incomoda alguém, eu sinto muito, mas não vou deixar de viver por isso. Eu não tenho esse nível de preocupação com o outro, até porque minha felicidade não prejudica ninguém, não desrespeita ninguém e me preocupar tanto assim com o que os outros pensam só faz mal a uma pessoa: a mim mesma.

Mas eu sei que é difícil bancar a felicidade, bancar a realização dos próprios desejos. Ainda mais no nosso caso. Cada pessoa tem uma história de vida mas há algo que é comum a todo mundo, que é a sociedade e as formas com que ela controla as pessoas. O que diferencia é a maneira que cada um lida com isso. Sociedade de consumo, propagandas, filmes, fotos, shoppings, namorados, pais e mães e seus filhos, aquela felicidade toda aparente, você fica achando que eles vão para casa e vai ser aquela alegria de comercial de margarina. Será mesmo? Acho que não importa, sempre há algo de errado. E não vai ser simplesmente vivendo uma vida "normal" que os problemas serão menores. Desconfio que seria muito ao contrário, se negando a viver e realizar os desejos. Mas eu simplesmente não consigo encontrar em lugar algum dentro de mim alguma coisa que me diga que estou errada, estou "pecando" (coloco entre aspas porque não acredito que exista pecado). E agora estou aqui, vivendo um sofrimento que não é meu, ou melhor, que não precisava ser meu, mas que assumi como sendo. Será que eu mereço que minha vida fique em suspenso por um mês? Será que as coisas vão mudar para melhor? Eu sei que os caminhos que a vida toma são sempre misteriosos e que não temos como prever o que pode acontecer, ainda mais numa situação de crise em que o futuro parece sempre sombrio. Só que eu sei que de uma forma ou de outra tudo vai dar certo. Só me pergunto se seria realmente necessário tudo isso...


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7.10.07

Sento e escrevo palavras no caderno. Meus dedos correm pelas páginas, querendo desenhar nas tuas linhas, sentindo a poesia da tua pele. Só te vejo se de olhos bem fechados penso no teu cheiro que invade os meus poros, transbordando teu prazer e teus gemidos. Saio de mim em pensamento, correndo atrás do teu sorriso. Branca luz, felicidade, estrela-guia, porto-seguro, precioso tesouro encontrado.
Se dizer que para sempre é exagero, então não tenho outra saída, se não admitir que meu amor é assim desde nascido, querendo sempre ser maior que o mundo. E, se não for pedir demais, eu só queria ouvir da tua boca, que todo o sentimento pode ser bem mais que só a febre e o calafrio das paixões que duram tanto quanto a flor colhida.


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20.9.07

"No dia em que ela se declarou
a cidade inteira silenciou
Todos queriam ouvir a resposta
Águias com seus vôos rasantes, urubus à espreita
de um pobre instante
Rezando pelo não nas suas costas
E ela cantava o seu amor
Com a sua garganta branca
E ela jurava o seu amor
Com sua garganta Santa
No dia em que a outra decidiu enfrentar o mundo
por aquele amor
Sentiu o peso sobre seus ombros
Pai, mãe, filho, irmãos, amigos
e um casamento antigo
Julgamentos e seus escombros
Mas elas se amavam tanto
Que já não cabia engano
Mas elas se desejavam tanto
Mesmo o futuro uma tela em branco
Nunca foi tarde demais
O medo, a verdade desfaz
Águias, urubus, julgamentos, fobias, força bruta
Tudo é pouco demais
Código civil, onde se viu, nêgo que enrustiu não
separa os iguais"



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26.12.06

Senti meu corpo todo estremecer quando vi aquele olhar se cruzarando com o meu. Nunca tinha sentido nada parecido: um calor misturado a um arrepio na espinha e um embrulho no estômago, como aqueles que se sente na montanha russa. A conversa fluía em tom descontraído, mas naquele momento senti que não estávamos ali só para conversar. Não fugi do olhar. Fitei-a por um segundo também, e dissemos muita coisa naquela troca visual. Um leve sorriso, meio nervoso, meio lascivo. Sentia que pela primeira vez estava agindo sem me reprimir, sem pensar em conseqüências. Aproveitava cada segundo, cada palavra. Se pensava em alguma coisa, talvez só no que poderia acontecer ainda naquela noite. Sabia bem o que estava fazendo ali. Já tinha desejado isso há muito tempo, já tinha previsto todas as possibilidades. Mas a realidade estava se mostrando bem menos difícil e muito mais agradável do que qualquer cena montada na minha cabeça. Resolvemos dançar, nossos corpos se aproximando, se atraindo como ímãs. Nada de opostos que se atraem, ali as leis da física estavam sendo derrubadas. Tomei coragem e segurei sua cintura, quando vi, nossas bocas já não se afastavam mais. Um beijo inesquecível que me fez lacrimejar. Passaram as horas, que pareciam apenas minutos, e o gosto daquele beijo, o toque daquela pele macia não enjoava. Me senti à vontade, livre, feliz. A noite acabou, porém, como uma droga de efeito viciante instantâneo, não conseguia parar de sentir um arrepio, toda vez que lembrava daquela experiência. E, totalmente dependente daquele sentimento, eu nunca mais fui a mesma, agora que resolvera atravessar a fronteira e conhecer todas as formas de amar.


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24.12.06

Não é meu primeiro blog, não são as primeiras palavras que escrevo para desconhecidos. Entretanto, este tem um sabor especial. O anonimato é o que dará a liberdade para escrever tudo que não poderia ser escrito até então. Só assim para renovar meu ânimo e voltar a escrever, voltar a ter um blog. Ânimo que me deu até energia para trabalhar um tempão neste layout... Que tenha vida longa este espaço!


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